13.4.07

Mulher pelada e charutinho de uva

Sempre pensei que esse troço de esfiha e quibe fosse uma coisa séria. Quero dizer, fosse uma coisa de árabe mesmo, daqueles com cimitarra na cintura e um livro de Malba Tahan na mão (ou, num tom não tão politicamente correto, com um detonador na mão). Tava enganado. Depois que morei em Londres, vi que esses quitutes são uma invenção tapuia.

Sim, amigos, não existe esfiha ou quibe em Londres -- e olha que tem árabe pra cacete por lá. Tanto que, em alguns bairros da capital inglesa, todas as mulheres andam com aquele pano preto na cabeça. Algumas, mais radicais, deixam só os olhinhos de fora. Alá, meu bom Alá. Isso nunca ia dar certo aqui no Brasil. Já pensou? Na terra das preparadas e das cachorras, muçulmana ia ter que suar o véu pra não acabar na boquinha da garrafa -- ou na pontinha do quibe.

Enfim, estava aqui falando sobre comida árabe na Europa, não de mulheres. Mas espera um pouco. Falando em véu e em esfiha, de onde vem a dança do ventre? Agora tudo ficou um pouco confuso. Em um canto, eles mandam as filhas de Alá se vestirem como abutres. No outro, mandam tirar a roupa e chacoalhar a barriga saliente no seu nariz. Quem está com a razão?

Estou começando a desconfiar que, assim como as esfihas e os quibes, a dança do ventre é mais uma invenção brazuca. Aqui, Islã é assim, mulher pelada e charutinho de uva. Lá fora, atentados terroristas, o diabo. Tá confirmado, Alá também é brasileiro.

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